16° Encontro Sul Global

18/03/19

Participantes:

Verónica Abdala (ARG), Soraya Abu Naba’a (DOM), Natalia Blanc (ARG), Alex Brahim (COL/ESP), Benedetta Casini (ITA), Laurent Grasso (FRA), Aníbal Jozami (ARG), João Kulcsár (BRA), Georges Petitjean (BEL), Bartolomeo Pietromarchi (ITA), Philippe Régnier (FRA), Betsabée Romero (MEX) y Diana Wechsler (ARG).


A arte demonstrou novamente seu imenso potencial para pensar, questionar e transformar a nós mesmos, em uma nova edição do Sul Global, a plataforma de pensamento da BIENALSUR. Ao longo de dois dias, o encontro reuniu convidados internacionais para abordar questões como tradições visuais associadas a povos aborígines ou ritos ancestrais, projetos inclusivos em espaços artísticos ou a poderosa revolução cultural que supõe a inteligência artificial.

No início da primeira jornada, o curador belga Georges Petitjean, especialista em arte aborígene australiana contemporânea, disse que "a arte sempre fez parte da cultura aborígene. Através da arte, eles têm uma voz nacional e internacional, e é realmente através da arte que eles fazem sua cultura conhecida e fazem com que ela permaneça forte”.              "A arte é também uma forma de transmitir conhecimento de uma geração para outra", explicou Petitjean durante o diálogo "Tradições visuais" que teve com Aníbal Jozami, diretor geral da BIENALSUR, e o artista francês Laurent Grasso, que por sua vez se referiu a um projeto artístico baseado em um sítio ancestral aborígene com o qual ele buscou misturar realidade, crença e ciência.

Durante o eixo "Arte e inclusão", o curador brasileiro João Kulcsár - em diálogo com a jornalista Natalia Blanc - forneceu detalhes do projeto Alfabetização Visual de Educação no Brasil, que ele coordena, que procura explicar os sentidos que entram em jogo quando as pessoas não videntes abordam a arte contemporânea.

Para o encerramento do primeiro dia, o curador italiano Bartolomeo Pietromarchi, diretor do MAXXI (Museu Nacional das Artes do Século XXI) em Roma, refletiu sobre a enorme revolução cultural envolvida no avanço da inteligência artificial, dando detalhes da exposição “Low form. Imaginários e visões na era da inteligência artificial", que reúne obras de artistas contemporâneos na instituição que ele dirige.

"Estão sendo colocadas novamente em discussão as categorias nas quais nossas experiências como seres humanos são baseadas. É uma emergência encontrar instrumentos com os quais administrar a transformação para não ser atropelados por essa onda tecnológica, porque a força com a qual está acontecendo não pode ser interrompida. E essa mostra serve para demostrar, visualizar o que está acontecendo. E questionar ou destacar conceitos para refinar os instrumentos com os quais enfrentá-los. O espectador não sai sentindo-se leve da mostra, mas a arte nos ajuda a refletir e a ver em uma visão mais ampla e profunda. Através da arte, conseguimos entrar nessa transformação que nos toca”, disse Pietromarchi, no diálogo com Benedetta Casini, curadora da BIENALSUR.

As Tradições visuais voltaram a ser eixo de debate da segunda jornada, com a presença da artista mexicana Betsabée Romero e da americana Soraya Abu Naba'a, descendente de palestinos e dominicanos. Ambas as artistas tiveram um diálogo com Diana Wechsler, diretora artístico-acadêmica da BIENALSUR, onde relataram seus projetos e obras ligadas a ritos e cerimônias, identidade, corpo e fronteiras territoriais e simbólicas. Além disso, Romero adiantou detalhes do seu trabalho que fará parte da BIENALSUR 2019 e será visto ao ar livre no bairro da Recoleta: um exército de cem cavalos feitos em argila, como de brinquedo, que serão realizados com a ajuda de estudantes de cerâmica locais, e com o qual pretende enfatizar a ideia do lúdico e também da forte tradição escultórica local.

As fronteiras voltaram a ocupar um lugar central na apresentação do curador colombiano Alex Brahim - em diálogo com a jornalista Verónica Abdala-, que narrou aspectos do projeto Juntos Aparte realizado em 2017 como parte da BIENALSUR na cidade fronteiriça de Cúcuta, com a intenção de demonstrar uma identidade comum entre pessoas de diferentes culturas. O projeto, que será visto novamente na edição de 2019 da bienal, reunirá exposições de arte, conferências e ciclos culturais, e propõe "debatir sobre questões de fronteira no mundo e promover reuniões por meio do diálogo e de obras artísticas". "A arte pode funcionar como um veículo para uma história diferente", enfatizou Brahim.

Para o encerramento, Aníbal Jozami e Diana Wechsler deram detalhes da bienal de 2019, que será inaugurada oficialmente no dia 20 de maio "ao sul do sul": na província de Tierra del Fuego. Depois, terá sucessivas inaugurações no dia 25 de maio na província de Tucumán, 5 e 6 de junho em Rosário, 8 de junho na Suíça, 12 de junho na província de Córdoba e 24 a 29 de junho em diversas áreas da cidade de Buenos Aires, para estender-se depois ao mundo inteiro.

"Na BIENALSUR, propomos pensar novamente as regras. Tem um formato aberto, móvel, uma dinâmica polifônica que busca que pensemos coletivamente”, disse Wechsler no diálogo que incluiu a presença do francês Philippe Régnier, editor-chefe de The Art Newspaper Daily, com sede em Paris.

"A BIENALSUR é algo totalmente diferente, tem uma dimensão inédita, mundial, estende-se aos diferentes continentes de uma maneira muito generosa. Tem um epicentro, que é o Antigo Hotel de Imigrantes, mas ao mesmo tempo é uma bienal rizomática que se desloca para muitos lugares e que faz parte de uma lógica não só artística, mas também aberta a muitos outros aspectos da sociedade, que é muito importante para dar visibilidade a todos esses artistas”, concluiu Régnier.



Passaporte:

Km: 3

Dirección: Juncal 1319

Cidade: Buenos Aires

Argentina

De 18/03/2019

A 19/03/2019