O natural e o artificial na perspectiva do artista costa-riquenho Jonathan Torres

23/11/18

O artista e escultor costarriquenho Jonathan Torres deu uma palestra gratuita no Centro MUNTREF de Arte e Natureza, na qual se referiu a suas obras feitas a partir de materiais encontrados, "não é porque busco um discurso ecológico, mas porque vejo os resíduos como matéria-prima da contemporaneidade”.

 "Há um clichê de que a Costa Rica é um paraíso natural, mas não é assim. E esta dicotomia me fez pensar muito sobre o trabalho que eu faço com os materiais de resíduos que as pessoas jogam fora", disse Torres no evento organizado pela BIENALSUR e o Mestrado em Tecnologia e Estética das Artes Eletrônicas da Untref.

Investigar as dinâmicas que surgem entre o natural e o artificial é uma das constantes na obra deste licenciado em artes visuais que ensina na Universidade de Costa Rica, que tem feito esculturas de abelhas ou insetos, uma "vida selvagem inventada" que permite "imaginar futuros próximos".

"Como seria o futuro se os animais fossem extintos e tivéssemos que substituí-los por animais feitos com tecnologia? As abelhas estão em risco de extinção e, se desaparecerem, faremos isso mais adiante", refletiu Torres (1978) durante sua apresentação.

"Em todo o meu trabalho artístico está sempre presente a ideia de como as coisas se degradam na atmosfera”, disse o autor de projetos como "Das partes e tudo", "Inter-relações" e "Scourge".

"Em minhas obras trabalho com biomimética. Isto não é para copiar a natureza, mas para encontrar uma metáfora na forma em que ela funciona, ou encontrar sua poesia e aplicá-la", disse o costarriquenho, que também falou com o artista e biólogo argentino Pablo Lapadula, num contraponto que nos permitiu vislumbrar os pontos de união entre arte e natureza a que ambos se referem em suas obras.

 Precisamente, a exposição de Lapadula, "Fantástica Zoologia" que oscila entre ilustrações relativas à imagens científicas a um gabinete de curiosidades que variam entre arte e ciência, foi o cenário para a palestra, no contexto particular da sede do museu que funciona na antiga Confitería del Águila, no ex-zoológico, atual Ecoparque em construção.


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De 23/11/2018

A 23/11/2018

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