Michelangelo Pistoletto: arte para a transformação social

30/10/18

O ilustre criador italiano Michelangelo Pistoletto, um dos maiores expoentes da Arte Povera (arte pobre), deu uma conferência gratuita no âmbito da BIENALSUR, em que se referiu à relevância da arte "para uma transformação social responsável, e como elemento de conexão, comunicação e ativação da sociedade”.·.

Em diálogo com Diana Wechsler, diretora artística da bienal, e o curador brasileiro Marcello Dantas, na sede da Reitoria da UNTREF, o italiano disse que esses conceitos são o que impulsiona desde a sua fundação, a Citta del arte, que fundou em 1998 em Biella, sua cidade natal, onde ele trata de produzir uma mudança responsável na sociedade.


"La Citta del arte toma como base os ideais da Arte Povera, movimento que nasceu em meados dos anos sessenta por um grupo de artistas que se separaram da ideia de uma arte consumista, uma arte feita para elogiar o sistema, do glamour consumista como era o pop art”, disse Pistoletto.



 

"Na Arte Povera a palavra 'pobre' não significa sem dinheiro, mas significa 'essencial', significa estar em relação direta com a terra, com a fenomenologia da existência", disse o italiano, que participará da próxima edição da BIENALSUR em 2019.

Frente a uma plateia lotada, Pistoletto também se referiu ao uso de espelhos, que têm sido uma parte fundamental de seu trabalho: "Um artista pode reproduzir tudo o que vê no mundo, mas não consegue fazer seu auto-retrato sem um espelho. Comecei a fazer auto-retratos como uma necessidade de me reconhecer, através da minha imagem. Foi o jeito de tentar descobrir minha identidade, saber quem sou através da minha imagem, o que faço neste mundo, porque estou aqui e por que faço arte”.


"Os quadros de espelhos", continuou, "trabalham diretamente com o tempo. O que eles refletem é uma imagem que dura um momento - o presente - que está mudando constantemente. É por isso que incluí a fotografia, que fixa esse instante, que é passado e, e ao fixa-lo, enquanto o tempo passa, é transformado em memória. E a memória é o futuro".


"E cada pessoa que se reflete na obra, nesse momento, torna-se protagonista. Então, não é mais o auto-retrato de uma só pessoa. Minha identidade é o auto-retrato do mundo, no qual estamos todos”, concluiu.


Data:

30/10/2018

De 30/10/2018

A 30/10/2018