Mistérios

05/09/17

Na arte não há progresso, há apenas um desenvolvimento; os temas artísticos são sempre os mesmos desde o início dos tempos, e existem apenas cinco ou seis: a busca de Deus, o sexo, a morte, a beleza da natureza ... cada artista fala sobre as mesmas coisas que seus antecessores, só que usando as palavras do seu tempo. O que não é melhor nem pior. "Christian Boltanski.

Em cada uma de suas intervenções públicas, ele retoma essas frases que o colocam dentro de uma vasta seqüência histórico-artística, quase genérica, que alude talvez à presença da arte como uma necessidade humana, social, a qualquer hora e lugar. As formas que assumem essas questões mudam de acordo com os horários e os lugares. Também mudam pela trajetória de vida de artistas que, como Boltanski, assumem o desafio de retornar repetidas vezes sobre esses temas, ensaiando diferentes recursos. Das instalações íntimas em espaços fechados, ausentes, muitas vezes abandonados ou semi-intensos, povoados por objetos escassos que reconhecemos de uso cotidiano e de materialidade muito despojada, ele passa para a imensidão do espaço aberto. No âmbito da BIENALSUR, Boltanski fez uma viagem exploratória à Patagônia, onde encontrou um lugar capaz de capturar os ventos, assim como essa dimensão infinita no horizonte que se estendia entre o céu, as pedras e o mar. Lá, um osso de baleia parecia se oferecer espontaneamente, como parte dessa experiência. A obra então surgiu: três grandes trompetes de ferro, instaladas naquela margem do Rio Chubut e à mercê dos ventos, foram colocados para emitir seus sons indefinidamente. Boltanski criou um mito, aquele das duas buzinas que, impulsionadas pelo vento, tentam dialogar com as baleias sobre essas questões existenciais. Deixa uma marca na paisagem. Instala um novo som. Nos faz participes através de um vídeo que, em sincronia com o tempo real do espectador, é projetado em outro lugar a centenas ou milhares de quilômetros de distância. Constrói uma lenda, destinada a desafiar o tempo e dar continuidade ao seu trabalho.

Passaporte:

Km: 1548

Cidade : Bahía Bustamante

Argentina

Artista:

Christian Boltanski (FRA)

Curador:

Diana Wechsler (ARG)

Eixo curatorial:

Arte no espaço urbano