"Tierras de Fuego", projeto de Angelika Markul (Polonia / Francia)

Videoinstalação documental da artista polonesa, realizada com base em gravações feitas na região da geleira Perito Moreno. O projeto tem o mesmo nome do arquipélago vizinho à Tierra del Fuego, um gatilho poético para falar sobre o impacto do aquecimento global sobre as paisagens e os territórios mais extraordinários do planeta. Ao mesmo tempo, o vídeo cria um paralelismo entre a deterioração lenta desses espaços e a perseguição e o extermínio dos povos originários da região e da América pelos colonizadores europeus e as elites locais.

Algumas das comunidades ancestrais que ocupavam originalmente esse território, como os tehuelches no planalto e os yamanás e onas na parte sul, serviram de inspiração para uma série de desenhos de Markul, que mostram as roupas, os penteados e os rituais desses povos como símbolo de sua riqueza e diversidade cultural. A extinção desses povos e a lenta degradação dos ambientes em que viviam se aproximam metaforicamente nessa obra em vídeo, destacando os perigos da falta de cuidado com o meio ambiente na atualidade.

Mostrando essas paisagens sublimes, Markul busca conscientizar o público sobre a situação atual do meio ambiente com modéstia, poesia e sensibilidade. A poetisa chilena Gabriela Mistral foi uma das fontes de inspiração mais intensas desse projeto. No poema “La lluvia lenta”, a autora fala da busca da renovação espiritual com a Mãe Terra e o território sagrado através da chuva. Além de denunciar os efeitos devastadores da humanidade sobre o meio ambiente, ela promove a aproximação da comunidade com a natureza. Assim como a chuva é um símbolo estético para Mistral, as geleiras na obra de Markul simbolizam o desaparecimento da humanidade e um chamado para nos conectarmos com a Mãe Terra.